Estou realmente indignado com o que está prestes a acontecer. A prefeitura da capital do Estado, que tem a maior frota de motocicleta do país, decidiu mesmo que vai proibir a passagem das motocicletas na via expressa da Marginal, o principal corredor da cidade, que dá acesso a importantes regiões do Estado. Porém, não para por aí, pois se por um lado ao proibir as motos de passar pela via expressa colocam a vida do motociclista em risco, amontoando-nos na já saturada via local e na confusa via intermediária, por outro lado, no caso da Avenida 23 de Maio, querem proibir a passagem das motos simplesmente colocando como alternativa um corredor exclusivo na Av. Vergueiro, como se fosse realmente uma opção adequada para os inúmeros acessos que temos pela Av. 23 de Maio, o que definitivamente não é.
O que mais me impressiona é que a principal alegação dessas medidas é a segurança do motociclista no trânsito, mas na prática não vislumbro tal verdade, mesmo porque ficou muito claro, na improvisada reunião da comissão criada pela prefeitura que se reuniu em caráter não oficial uma única vez, que a prefeitura dispõe de uma pesquisa na qual 80% dos paulistanos entrevistados alegaram ter ojeriza aos motociclistas. Nesse sentido, fica muito difícil não acreditar que se trata de uma atitude com fins eleitoreiros, ou seja, ao colocar em prática tais proibições, se indispõe com um milhão de motociclistas e conquista-se a simpatia de cerca de 10 milhões de paulistanos, o que sem dúvida representaria um enorme potencial eleitoral para 2012.
O pior é que, ao que tudo indica, estamos literalmente sozinhos nessa guerra, pois inúmeras empresas e entidades que compõem esse nosso enorme setor de duas rodas, simplesmente se calaram, se esconderam e covardemente agem como se não houvesse nada a fazer; mas é claro que há. Já dizia o então governador Mário Covas: “Não há lei ruim se o povo está mobilizado”, por isso não estou fazendo apologia à quebra, pois nunca fizemos ou apoiamos esse tipo de ação, mas acredito que há caminhos políticos, técnicos e jurídicos para conseguirmos demover a prefeitura desta decisão tão prejudicial a todos nós motociclistas.
É inaceitável que sejamos proibidos de transitar em qualquer via pública desse país, ainda mais se tratando de Marginal e Av. 23 de Maio. Se há entidades que apóiam esse tipo de medida, e os seus representados não se manifestam contra, dão a entender que estão de acordo, mesmo porque, já diz a velha máxima: “Quem cala consente”. Queria ver se o poder público proibisse somente seus representados de passar na via expressa da Marginal e 23 de Maio e não nós, se tal apoio se sustentaria.
Querem diminuir as ocorrências de trânsito? É claro que nos também queremos, mas proibir a passagem das motocicletas em uma determinada via é o mesmo que proibir as mulheres de sair às ruas para acabar com os estupros, ou impedir o cidadão de sair às ruas para acabar com os assaltos. É preciso combater as causas e não os efeitos.
As motocicletas estão correndo demais? Coloquem radares nas vias. Estão se acidentando muito? Invistam em educação para o trânsito. O custo é alto? Dividam com os fabricantes de motocicletas. Querem saber o que fazer? Sinalizem adequadamente as vias. Tapem os inúmeros buracos das vias, realizem policiamento preventivo e ostensivo. Tratem os motociclistas como cidadãos e os motoqueiros com o rigor da lei. Quanto a nós, motociclistas, podemos não estar contando com a ajuda devida com a qual teríamos mais forças, porém somos uma multidão.
Pensemos seriamente nisso!
Lucas Pimentel
Presidente
ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas
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Saiba mais: Kassab veta moto na pista expressa da Marginal do Tietê - http://abrambrasil.org.br/29.07.10_marginal.html